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terça-feira, 27 de outubro de 2015

A PERGUNTA MAIS IMPORTANTE QUE VOCÊ DEVE FAZER PARA A SUA NOVA IDEIA DE NEGÓCIOS

Você tem uma nova ideia de negócio? Ok.
Isso é uma coisa boa, principalmente se você é um empresário, deve estar acostumado com isso.

Mas antes de sair fazendo tudo o que pensamos, é prudente esperar e raciocinar com um pouco de calma, uma pergunta que precisamos responder é esta:

O que os meus clientes fariam se eu não começasse este negócio?




Uma possível resposta: O meu cliente iria para o concorrente.
Esta resposta lhe diz: Se você optar por prosseguir esta ideia de negócio, você vai ter que fazê-lo muito melhor do que o concorrente.

Caso contrário, você está se preparando para o fracasso.

Por que?

Porque eles tem o tempo ao seu lado. Eles têm uma vantagem sobre você. Há problemas que você vai encontrar durante a construção do seu negócio que eles já resolveram.

Se esta for a resposta quando fizer a pergunta acima, pense cuidadosamente sobre o caminho que você está prestes a começar. Vai ser um desafio.

{ Se o concorrente não estiver servindo bem os seus clientes, já é uma vantagem para você }

Outra possível resposta: O meu cliente iria criar a sua própria solução.

O que esta resposta lhe diz: Que você está cobrando por algo que é o cliente consegue gratuitamente, então para que você possa cobrar, a sua solução deve ter muito mais valor do que a gratuita.

Mais uma resposta: Meu cliente não iria passar pela dificuldade de encontrar uma solução para este problema.

O que esta resposta lhe diz: O cliente não está com a dor que você está tentando solucionar, ele pode nem se importar com isso. Antes de prosseguir, certifique-se de que você está resolvendo um problema para as pessoas.

Outra resposta: O meu cliente iria procurar, mas não teria outro lugar para resolver o problema.

O que esta resposta lhe diz: Se as pessoas estão sentindo dor e não tem outra maneira de aliviar sua dor, eles pagarão pela sua solução!

Primeiro, certifique-se que essa dor é realmente importante para o seu cliente. Em seguida, veja se não existe outro lugar para o seu cliente resolver este problema. Se estas duas respostas forem positivas, você está em um bom caminho.




sexta-feira, 21 de agosto de 2015

10 MANEIRAS DE AUMENTAR O TRÁFEGO DO SEU SITE

O especialista James Jorke nos diz quais são os métodos disponíveis para aumentar as visitas do seu site.

Existem muitos métodos disponíveis para aumentar o tráfego que o seu site recebe. Aqui estão 10 que eu acredito serem as mais eficazes.



01. EMAIL MARKETING
Design elegante faz parte da estratégia de marketing de alta performance.
Você precisa fazer uma lista de contatos de pessoas interessadas no tema que você domina, então começe a enviar informações que os ajudem no dia a dia.

02. VIDEOS
São uma ótima alternativa para alavancar a sua empresa, as pessoas conseguem lhe enxergar e isso cria empatia.
Os videos estão cada vez mais populares e hoje podemos compartilhar no You Tube e Vimeo, agora temos o Periscope e o Meerkat que são projetados para apresentação ao vivo.

03. PODCASTS
Eles perderam um pouco de espaço nos últimos dez anos por causa dos videos, mas empresas como Gimlet e Slack estão fazendo muito esforço para mudar esta história.
Um dos grandes benefícios do podcast é que as pessoas não precisam sentar para assistir o video, assim sendo, você consegue transmitir informação para pessoas que estão caminhando no parque, dirigindo no trânsito etc.

04. (SEO) OTIMIZAÇÃO NO MOTOR DE BUSCA
Certificando-se que o seu site esta a cada dia sendo melhor ranqueado nos motores de busca, a longo prazo, aumenta a quantidade de visitas no seu site por pessoas interessadas no conteúdo que você coloca.

05. ADWORDS
Uma grande vantagem do Google Adwords é que ele lhe fornece tráfego imediato, embora você pague por cada clique.

06. TWITER
Você pode encontrar pessoas que estejam interessadas em seu site e assim aumentar os níveis de tráfego dele. Existem ferramentas como o Followerwonk, para ajudar a pesquisa através de perfis do Twitter.

07. ANÚNCIOS PAGOS NO TWITTER
É cada vez mais utilizado e tem vantagens sobre algumas publicidades tradicionais como o Goolge Adwords.
No Twitter você pode encontrar pessoas interessantes e relevantes para receber os seus anúncios.

08. ANÚNCIOS NO FACEBOOK
O Facebook possui muitas informações sobre as pessoas que lá estão, isso ajuda a você refinar muito o seu anúncio, pode ser pela idade, sexo, localização, interesses, etc Com todas estas informações é possível direcionar a comunicação de uma maneira muito eficaz.

09. ENVIAR EMAILS COMERCIAIS SOBRE O SEU SITE
Esta ação deve ser feita de maneira muito sutil, ninguém gosta de ficar recebendo emails sem nada de importante, apenas querendo vender coisas. Tenha certeza que existe algo muito importante para depois enviar um link em um email, pode ser um novo post em seu blog ou uma promoção importante.

10. NETWORKING EM PESSOA
Participando de muitos eventos, onde há pessoas que podem se interessar pelo seu assunto, o site vai certamente aumentar a quantidade de visitas. Se receber dados de contato de alguém, você pode pedir autorização para incluir o seu nome na lista de emails.

Espero que estas dicas sejam úteis para você!
Um abraço






sexta-feira, 14 de agosto de 2015

DESIGN CRIA VALOR PARA A SUA ESTRATÉGIA DE NEGÓCIO

Design é um investimento que se faz para que aconteça algo inovador no posicionamento, na marca, e na comunicação e que cria valor para as empresas em termos de vantagem competitiva, confiança e intimidade para uma parcela do mercado.







Em um ambiente de negócios em rápida mudança, seja global ou local, utilizar o design ajuda a enfrentar a complexidade do mercado com soluções criativas. Em uma economia onde a produção gira em torno de um menor custo de produção o design pode lhe ajudar com a diferenciação competitiva para uma cota do mercado.

O design é um ativo estratégico fundamental que é mais eficaz quando utilizado no início dos planos corporativos, e não como uma finalidade apenas decorativa, é uma força que pode ajudar o posicionamento de uma empresa. 

sábado, 8 de agosto de 2015

TRECHOS DO LIVRO "A LINGUAGEM DAS COISAS" Deyan Sudjic

Deyan Sudjic é diretor do Design Museum de Londres.

Vivemos em um mundo afogado de objetos. Se olhamos em nossas casas ficaremos surpresos em pensar na quantidade de coisas que estão ao nosso redor. Nossas cozinhas estão repletas de aparelhos elétricos. Temos aparelhos de ginástica que nunca usamos. Uma pilha de sapatos no guarda-roupas. Sentimo-nos seguros acreditando não se tratar de caprichos, mas de investimento na família.
Nossos filhos possuen caixas e caixas de brinquedos que rapidamente são deixados de lado.

O Mc Donald`s se tornou o maior distribuidor mundial de brinquedos, quase todos usados para fazer merchandising de marcas ligadas a filmes.

Os objetos geralmente aumentam de tamanho, é uma maneira do fabricante dizer que estes novos modelos são melhores do que outros, as telas de TV são prova disso.

Somos uma geração nascida para consumir. Há quem acampe em frente a lojas da Apple para ser o primeiro a comprar um iPhone. Transformamos uma simples caneta em um símbolo de realização. O brilho do consumo como a meta final das nossas vidas parece estar hoje em dia mais vivo do que nunca.

Hoje o design serve também muitas vezes como publicidade porque seduz as pessoas e essa arma pode servir para o bem e para o mal. O designer consegue calcular inserções para obter determinada resposta emocional. Os objetos são mais do que objetos e o designer sabe, em maior ou menor grau jogar com tudo isso.

LINGUAGEM
Antigamente uma cadeira era feita por um artesão e durava a vida inteira, hoje os produtos são descartáveis e o desejo fenece muito antes que o objeto envelheça. O desenho industrial começa parecer como uma cirurgia plástica que precisa ser refeita com frequência.

Muitas categorias de produtos foram não só transformadas e sim completamente eliminadas.
Cada nova geração é surpreendida tão depressa que nunca dá tempo de desenvovler uma relação entre dono e objeto.

Para entender a lingugem do design precisamos entender a evolução do designer como profissional.
Desde que essa atividade surgiu como prática distinta, intimamente ligada ao desenvolvimento industrial em fins do século XVIII, os designers deixaram de se considerar reformadores socias, idealistas, para se tornarem os carismáticos vendedores de panaceias.

O design, em todas as suas manifestações, é o DNA de uma sociedade industrial - ou pós-industrial, se é isso o que temos hoje. É o código que precisamos explorar se quisermos ter uma chance de entender a natureza do mundo moderno. É um reflexo do nosso sistema econômico e de valores emocionais e culturais.

O que torna essa visão do design realmente atraente é a noção de que há algo a entender sobre os objetos além das questões óbvias de função e finalidade. Ou seja, o significado do objeto.

O design é a lingugem que uma sociedade usa para criar objetos que reflitam seus objetivos e seus valores.

Pode ser usado de formas manipuladoras e mal-intencionadas, ou criativas e ponderadas. O design é a linguagem que ajuda a definir, ou talvez sinalizar o valor. Cria pistas táteis e visuais que sinalizam “precioso” ou “barato”

O design também tem outro tipo de ressonância. Não vamos esquecer que o bom design é também um prazer em si mesmo. A qualidade estética e escultural de um copo ou uma cadeira e a elegância intelectual de uma interface são expressões criativas intrinsecamente apreciáveis. Como também a elegância com que um software interage com seus usuários.

O design é usado para moldar percepções de como os objetos devem ser compreendidos.

O primeiro celular exigiu um design para definir o que é um celular, o que vem depois disso é uma variação deste tema.





  

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Entrevista Revista Pellegrino. Embalagens para o setor automotivo.

1) O que deve ser considerado ao elaborar embalagens para o setor automotivo e de autopeças, que costumam ficar empilhadas em prateleiras no varejo? R. 
Algumas coisas servem para o mercado de uma maneira geral e outras são mais específicas para o setor, por exemplo, como todo o segmento considere os pontos fortes do seu produto, a embalagem pode exercer a função de lente de aumento para eles e isso tem bastante influência no momento da compra, mas atenção, não exagere, algumas pessoas ambicionando mostrar muitos diferenciais deixam a embalagem visualmente sem uma hierarquia visual. Aspiram mostrar tudo e acabam por não mostrar nada, a embalagem perde, então, relevância na gôndola. Falando agora de maneira específica para o setor podemos considerar os salões automotivos pelo mundo afora como fonte de inspiração, sempre lançando tendência em design; essa seria uma ótima fonte de ideias para um escritório de design que busca referências de cores, texturas, formas que veremos em um futuro próximo e que já se apresentam nesses lugares. Busque também estudar os lideres de mercado, principalmente as multinacionais, como elas apresentam as suas embalagens, essas empresas que tem como parceiros as melhores agências de design sabem muito bem expor o seu produto. A embalagem, se bem resolvida em sua forma e universo visual, ajuda a você se posicionar no mercado criando uma experiência sensorial positiva com as pessoas, não importa o setor, um produto além de ser bom precisa parecer bom, porque ninguém daria muito crédito a um general que se apresentasse de bermuda e camiseta colorida para a sua tropa, a farda bem feita faz toda a diferença, assim como uma embalagem bem pensada também faz. 2) As embalagens para autopeças precisam ser resistentes e, ao mesmo tempo, comunicar as características e especificações do produto com facilidade. Que materiais são mais recomendados para embalagens desses segmentos, para facilitar esse armazenamento? 
 R. De um modo geral as embalagens de papelão ainda tem um custo/benefício bem interessante e para aumentar a resistência, no caso de peças mais pesadas temos a opção de um pallet interno feito de papelão, contudo dependendo do projeto podemos recorrer a outras opções como o polipropileno, pvc, isopor. 3) Quais são as novas tendências de design para embalagens de peças para automóveis? R. Temos dois grupos, embalagens com cores chapadas de fundo com aplicação da marca e nome do produto, apenas, tenho visto também embalagens que exploram a foto ou o desenho do produto usando elementos gráficos para completar. Qual a melhor solução? Depende do caso. 4) Quais são os erros a ser evitados ao produzir embalagens para esse fim? R. O primeiro (e tudo o que virá depois parte daqui) seria entregar a criação da embalagem dos produtos da sua empresa para pessoas que chamamos de “aventureiros” na profissão, porque elas não são especializadas na área de design e não se importarão com a segunda coisa que eu vou dizer agora. Busca de referências para ampliar o seu repertório, pensar porque escolho essa opção criativa para seguir e não aquela, porque estou usando tal tipografia, pesquisar o que estão fazendo os concorrentes, refletir e conversar com o cliente o que seria melhor para o projeto, qual o discurso que a sua marca está apresentando escolhendo tal caminho, se essa solução fica dentro de um “guarda-chuva” principal que é a percepção da marca pelo mercado. Esse é o principal erro, não estudar antes de fazer. O design é a arte aplicada ao mercado, ou seja, não adianta ser belo, precisa ter função e o da embalagem é vender o produto. O ideal seria realizar uma rápida entrevista, por telefone, após às 15h30. Mas, se não for possível, gostaria que respondesse às questões por escrito. 

Tenho como prazo até dia 24/04 (terça-feira). É possível? Emerson Marinho Nóbrega é formado em design. Hoje é proprietário da agência Pulsar Design e tem em sua carteira clientes como Nestlé, C&A, Graal, Davene e BioClean www.pulsardesign.com.br.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Valor da Retidão.

Eis a ideia para vocês refletirem ao longo da semana: “O valor da retidão”. A retidão é uma das maiores virtudes que uma pessoa pode ter. O que significa ter retidão? - Significa ser uma pessoa reta e honesta. - Ser aquela pessoa que não quer o mau a ninguém. - Ser aquele que não usa as pessoas em proveito próprio. Aqui tocamos num ponto importante: uma pessoa reta é aquela que não usa as outras pessoas para seu proveito! Não usar as pessoas para proveito próprio não é nada fácil, pois todos nós temos muitos interesses! Somos, por natureza, interesseiros e egoístas. Por exemplo, quando uma pessoa reta convida alguém para passear, ela busca nesse plano uma ocasião sincera de amizade. Por outro lado, a pessoa que não é muito reta convida alguém para passear pensando em obter, por exemplo, alguma informação interessante que o (a) seu (sua) amigo (a) pode lhe passar. Uma pessoa reta, se deseja alguma informação legítima, não esconde o seu interesse, fala a sua intenção, joga limpo. Podemos dizer que uma pessoa reta é boa no fundo do coração. Quer o bem dos outros sempre. Não tem uma zona nebulosa em seu coração, uma zona cinzenta que esconde no fundo o que ela quer ou por que ela faz as coisas. Uma pessoa que não é reta é aquela que, no fundo, vive manipulando as outras. É importante nos aprofundarmos um pouco no significado da palavra "manipulação", pois ela nos ajuda a desmascarar algumas ações nossas. Manipular é usar, tirar proveito de algo para interesse próprio ou alheio. Em sentido estrito, somente os objetos são suscetíveis de manipulação. Posso manipular um objeto de madeira, cortá-lo, pintá-lo, prendê-lo numa parede. Tenho o direito de fazer isso, de usá-lo, de tirar-lhe proveito para interesse próprio ou alheio, pois trata-se de um objeto. No entanto, não tenho o direito de manipular ou de usar uma pessoa, pois ela não é um objeto, mas sim um sujeito. Jamais uma pessoa pode ser usada. A manipulação de uma pessoa chama-se também, apesar da força desta palavra, sadismo. Ser sádico não significa apenas ser cruel, como geralmente se pensa. Significa tratar uma pessoa de forma a manipulá-la. Lopes Quintás, um filósofo espanhol, cita como exemplo de manipulação de uma pessoa o erotismo. O erotismo, diz ele, consiste em usar o corpo de outra pessoa para obter prazer. Por que nesse caso se diz que alguém está usando o corpo de outra pessoa? Porque no erotismo o prazer é buscado acima do amor. Em alguns casos, a outra pessoa sentirá que foi usada, manipulada. Em outros, o manipulador fará juras de amor, de pureza, de retidão, enganando a outra pessoa, e no fundo o que ele quer mesmo é o seu bel-prazer: isso é o sadismo. Será que eu tenho manipulado as pessoas, mesmo que seja minimamente? O que é mais forte em mim: buscar o meu interesse ou fazer o bem aos outros? Façamos o propósito de ser retos acima de tudo! Ser reto — ter retidão — é o que realiza alguém, pois é a vitória do amor sobre o egoísmo. Uma santa semana a todos! Pe. Paulo

terça-feira, 24 de abril de 2012

Texto Design

Hoje nós temos um universo de invenções, de todos os tipos e para todos os momentos. Mas será que precisamos realmente de tudo isso? Quando criamos alguma coisa é regra pensar se aquilo terá uma função na nossa vida, se realmente vai fazer diferença ter ou não o que será exposto. Existem objetos bonitos, coloridos, que chamam a atenção, mas que no fundo não servem para quase nada e assim acabamos produzindo coisas que ninguém usa. A invenção não precisa ser grandiosa para ser valiosa, algo simples pode ter um grande valor, porque tem uma grande função. Eu vou dar um exemplo de algo pequeno, barato e simples, mas que ninguém fica sem porque tem muita utilidade; o clipe de papel. Eu não sei quem foi o inventor desse objeto mas sei que a sua invenção faz um sucesso enorme, antes do clipe devia existir alguma outra coisa, mas essa novidade, esse pequeno pedaço de arame dobrado foi algo tão bom, tão útil que o seu antecessor simplesmente sumiu dos nossos registros e hoje ele está em quase todas as mesas de trabalho do mundo. Foi ou não foi um case de sucesso? Enquanto existir papel existirá um clipe, é o tipo de invenção que tem um motivo forte para existir, essa pessoa, nem sei se foi um designer, mas ele realemte criou algo importante para eu e para você, um objeto que soluciona o problema de agrupar folhas de papel e não para ser mais um cacareco em cima da mesa. Na minha singela opinião tinha algo no clipe que poderia ser melhorado, e hoje já foi; o clipe depois de algum tempo enferrujava-se e isso o deixava com aspecto muito ruim além de sujar o apapel anexo. Hoje temos clipes coloridos, a tinta, além de trazer algo mais divertido serve (e aí entra a função) de um revestimento para o metal. Todas as variações desse produto encontradas pelo mundo afora é como um prato, por exemplo, um pedaço de carne que serve para alimentar (função), mas cada um coloca o tempero (forma) que lhe é mais agradável. O clipe além de funcional é bonito e isso é importante também, não ajuda muito ter uma função e ser feio de dar dó. Um objeto simples, contudo se não existisse nos faria muita falta. Quando estiver prestes a comprar alguma coisa faça essa pergunta também. Será que eu realmente preciso disso? Um abraço. Emerson Nóbrega é diretor de criação da Pulsar Design. www.pulsardesign.com.br

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Ser pai

Os pais têm uma chance - e apenas uma - de formar bem os seus filhos.
No entardecer da vida, os pais bem-sucedidos terão a oportunidade de desfrutar dos frutos do seu sacrifício: o sucesso dos seus filhos. Verão como se tornaram mulheres e homens seguros, responsáveis, empanhados em viver de acordo com os princípios que eles próprios lhes ensinaram. Deus manda-nos honrar pai e mãe, e a maior honra que um filho pode prestar aos seus pais é justamente a de adotar a consciência e o caráter deles. Ver os filhos crescer assim é o maior desafio que um homem pode enfrentar e o maior prêmio que pode receber. É a razão de ser de toda a paternidade.

sábado, 16 de julho de 2011

Propósito de marca é a nova fronteira do Marketing

Conceito vem sendo discutido e aplicado por empresas como Apple e Havaianas.

As empresas têm um novo desafio daqui para frente: ter um propósito. Algo que inspire as pessoas a comprarem seus produtos ou a utilizarem os seus serviços não apenas porque são os melhores em qualidade ou oferecem o melhor preço ou valor, mas porque contribuem para uma causa. O maior embaixador do propósito de marca no mundo é Joey Reiman. CEO da consultoria americana BrightHouse e um dos maiores pensadores de marca do globo, Reiman esteve no Brasil no último mês à convite do Grupo Troiano e trocou algumas palavras com o Mundo do Marketing.

Segundo o especialista, o propósito da empresa é que vai diferenciá-la das demais num futuro próximo, muito embora já existam companhias que utilizem este conceito e, com isso, estão liderando em suas categorias sem competidores à altura. Por isso, é preciso que as marcas definam, logo, o seu propósito antes que percam suas vantagens competitivas. Se o diferencial hoje é um atributo funcional, amanhã será uma causa. “É mais do que a missão, a visão e os valores da empresa”, ensina Fernando Jucá, Sócio-diretor do Grupo Troiano. O propósito é tangibilizado em ações concretas, percebidas e valorizadas pelos consumidores.

As empresas que já entenderam a importância do propósito para as suas marcas estão sorrindo de orelha a orelha porque conquistam milhões de clientes no mundo todo de forma aparentemente inexplicável. As pessoas simplesmente amam estas marcas. São casos conhecidos, nomes como Apple e Havaianas são pioneiras e apostam neste conceito há algum tempo. A BrightHouse, inclusive, ajudou a Alpargatas na internacionalização da Havaianas.

Como fazer
Na teoria, a Apple pode vender computadores, telefones, tocadores de músicas e tablets, mas na prática, a partir de seu propósito, comercializa design, inovação e criatividade. Já a Havaianas não distribui chinelos de borracha, mas vende a alegria de viver. Seus produtos e sua marca transportam o consumidor, imediatamente, para um ambiente descontraído, despojado, sem estresse e que suscita bons momentos.

Um propósito único e autêntico tem o poder de atrair os consumidores. “O que toca as pessoas são boas histórias e causas que mobilizem a sociedade”, aponta Reiman. “O desafio é criar um motivo que as engaje”. A marca deve, portanto, inspirar o consumidor. Conectar pessoas em torno de uma causa. O grande desafio, para as empresas, é descobrir o seu propósito e fazer dele uma verdade. Elas devem começar essa descoberta buscando o seu motivo de existir.

Olhar para a cultura, a essência e os valores da companhia é um bom começo. Segundo Reiman, deve se perguntar o que o mundo perderia se a empresa deixasse de existir. Outro questionamento a ser feito é: do que o mundo precisa? E, claro, como a empresa pode preencher esta necessidade. É passar da fase de marca funcional e até mesmo aspiracional para uma que tem e promove uma causa. E, dando um significado maior à empresa, o consumidor fará isso por tabela.

Bruno Mello, Editor Executivo do Mundo do Marketing

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Beleza na embalagem é valor, não futilidade!

Por Fabio Mestriner*

Por incrível que possa parecer, ainda existem pessoas que acreditam que a beleza estética é algo que pertençe ao universo da vaidade e das coisas fúteis, não representando em si um valor autêntico, mas uma coisa que é, sob muitos aspectos, negativa em sua essência. Não haveria problema algum neste tipo de visão se ela não fosse compartilhada e aceita por profissionais responsáveis por conduzir seus produtos num mercado onde a beleza desempenha um papel preponderante.

Profissionais e especialistas não podem ter visão semelhante a de leigos que são facilmente levados pelo senso comum e pelo moralismo virtuoso que nega o valor da beleza por considerá-la algo distante dos verdadeiros valores morais da sociedade. Ao contrário do que acreditam estes leigos, uma pesquisa do Comitê de Estudos Estratégicos da ABRE revelou que a beleza estética do design é o principal fator de atração e convencimento que ela dispõe para conquistar o consumidor.

Esta pesquisa e os estudos realizados pelo Comitê foram publicados num documento intitulado: “Diretrizes Estratégicas para a Indústria de Embalagem” cujo objetivo é orientar os associados da entidade a proceder de forma condizente com a importância que cada aspecto tem para o desempenho de seu negócio.

O Foco deste estudo era entender como é composto o valor da embalagem, como ele se manifesta e como é percebido pelos vários elos da cadeia. A conclusão deste estudo indicou que o valor da embalagem “É aquilo que o consumidor percebe e aceita pagar por ele”. Concluiu também que o consumidor não separa a embalagem de seu conteúdo e que, para ele, os dois constituem uma única entidade, indivisível. A beleza estética é um componente fundamental desta entidade e dela não pode ser excluída.

A embalagem interage com o consumidor no ponto-de-venda em confronto direto com suas concorrentes. Nesta situação, a embalagem precisa atrair o consumidor, conquistar sua atenção, despertar seu desejo de compra e conquistar sua preferência, em poucos segundos de tempo e não pode de forma alguma ser feia ou inexpressiva para conseguir isso.

O feio vende-se mal, conforme descobriu em seus primórdios a revolução industrial, que viu a abundância de produtos introduzir a competição de mercado. Neste cenário, novo até então, pois antes da indústria os produtos eram feitos a mão em número muito reduzido, a beleza surgiu como o fator capaz de encantar o consumidor tornando os produtos mais desejáveis.

A partir desta constatação, os produtos mais bonitos e atraentes dominaram o mercado impondo sua estética aos seguidores que aderiram a nova linguagem ajudando assim a consolidar o modelo que temos hoje. Quando falamos da beleza das embalagens, estamos na verdade falando de forma, cor e imagem.

A beleza, portanto, é um componente fundamental no desempenho competitivo, um valor que o consumidor reconhece e que faz com que ele aceite pagar mais por um produto que incorpora estas características. Quem é profissional responsável por embalagens em uma empresa deve visitar constantemente o ponto-de-venda e verificar como estão posicionados seus produtos frente à concorrência. É preciso dirigir a si mesmo de frente para as gôndolas, a seguinte pergunta: “As embalagens dos meus produtos são inferiores as embalagens dos meus concorrentes?”.

Se ao responder de forma sincera esta pergunta a resposta for positiva, você está diante de um problema / oportunidade. Problema, se esta situação permanecer, pois como o consumidor não separa a embalagem do seu conteúdo, para ele se a embalagem é inferior, o produto também é. Neste caso, sua única alternativa é vender mais barato. Oportunidade, se ao constatar esta situação você decidir agir para tornar suas embalagens mais bonitas e atraentes que as da concorrência.

Afinal, como vimos, a beleza é um valor que o consumidor reconhece e as empresas conscientes disso podem fazer com que ela trabalhe a favor de seus produtos. Como diria Vinícios de Moraes, as embalagens feias que nos desculpem, mas beleza é fundamental.

* Fabio Mestriner é Professor Coordenador do Núcleo de Estudos da Embalagem ESPM, Professor do Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Embalagem da Escola de Engenharia Mauá, Coordenador do Comitê de estudos estratégicos da ABRE e Autor dos livros: Design de Embalagem Curso Avançado e Gestão Estratégica de Embalagem.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O Futuro das Marcas - Marc Gobé

Marc Gobé é presidente da Desgrippes Gobé Group, uma das 10 maiores empresas de branding do mundo. É também palestrante/escritor, criou o conceito de MARCA EMOCIONAL.

Ele acha q cada vez mais importa o cliente sente sobre marca, e menos o q ele sabe sobre ela.

*Branding: trabalho de construção da marca junto ao mercado.

Os 10 Mandamentos das Marcas Emocionais

de Consumidores p/ Pessoas: os clientes não devem ser vistos como alvos a serem atacados, mas como pessoas com as quais deve-se contruir um relacionamento.

de Produtos p/ Experiências: Produtos atendem necessidades, mas proporcionar experiências satisfaz desejos.

de Honestidade p/ Confiança: Honestidade é obrigação. As marcas devem buscar confiança, para gerar envolvimento e intimidade.

de Qualidade p/ Preferência: Não basta ter qualidade reconhecida. É preciso perseguir a preferência do público.

de Notoriedade p/ Aspirações: Ser conhecido é diferente de ser amado. Para ser amada, a marca precisa refletir as aspirações de seus clientes.

de Identidade p/ Personalidade: As marcas para se diferenciarem, além de ter uma identidade clara, precisam ter uma proposta, caráter e carisma.

de Funcionalidade p/ Sentimento: Mais do que funcionais, os produtos devem proporcionar experiências através do design.

de Ubiqüidade** p/ Presença Emocional: Alta visibilidade não é mais suficiente, as marcas devem buscar contatos emocionais com as pessoas.

**Ubiqüidade: qualidade de estar ao mesmo tempo em toda parte.

de Comunicação p/ Diálogo: Mais do que discursar através da comunicação tradicional, as marcas precisam estar presentes na vida dos seus clientes.

de Atendimento p/ Relacionamento: Atender bem é só uma tarefa de venda. Estabelecer relacionamentos é reconhecer a importância do cliente.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A poça d`água - Crônica

Ninguém dá importância a uma poça d´água. Só se presta atenção a ela, para evitar molhar os pés, ou sujar os sapatos.

As crianças bem pequenas, sim, lhes dão importância, -- são fascinadas por elas -- e, embora as mães as previnam de não pisarem nelas, elas não as ouvem, e fazem questão de meterem o pezinho exatamente dentro da poça.

Plaft !!!

Com força. Espirrando água suja por todos os lados. De propósito. Por isso levando uma reprimenda, e até, por vezes, um puxão de orelhas. Do qual se esquecem, logo na próxima poça.

Plaft!!!.

De novo.

Ninguém gosta de poças d´água depois das chuvas.

A não ser as crianças...

Crianças ainda tropeçantes, de meia molhada, de sapatinho barrento, e de orelhinha vermelha...

Até a próxima poça.

Plaft!!!

Mais uma vez.

...................................Plaft!!!...................................Plaft!!!...............................................

Quando não há mais plafts propositais, já não se é mais criança. Ficou-se eleitor.

Que desgraça! Que tristeza!

Então, já não há mais plafts propositais.

Só por acidente.

Com raiva do prefeito que não tapa os buracos nas ruas e nas calçadas.

............................................................................

Mas, se crianças votassem, ganhariam os plafts!

Nunca os prefeitos

...................................Plaft!!!...................................

Foi uma distração. Instalou-se um novo Prefeito. Que prometeu combater as poças. Que tristeza! Que desgraça!


Quando era pequeno, encantava-me ver a água correr célere, depois de uma chuvarada, por uma ladeira de pedras e lama, num sítio de um tio.

Ela deixava poças, onde o céu azul se refletia, nas tardes quentes, depois do temporal, as nuvens passeando rápidas pelo espelho da poça. Pelo espelho encantado da poça d´água.
Havia poças lamacentas, e outras até limpas. Pelo menos, me pareciam limpas.

Divertia-me represar a água da enxurrada, fazendo diques de barro, lutando contra a corredeira, para detê-la por curto tempo. Brincando de por limites às águas. Encantado de controlar impulsos desordenados, opondo-lhes lei e regra.

Toda criança quer por limites às águas que correm pelas ladeiras depois das chuvas. As mães cuidadosas fazem o mesmo ao advertir os filhinhos a não pisarem nas poças. Põem limites.

Há séculos os homens fazem o mesmo – de modo mais sério — criando represas e açudes. Brincadeira séria de adultos, visando a produção agrícola. O que os impede de saber brincar de fazer poças d´água. Desinteressadamente. Por amor da água empoçada espelhando o céu.
Havia também uma fonte, no sitio de meu tio. Mas nela não se podia brincar. Era proibido. Para não sujar a água. Nela, a água escorria alimentada por um olho d´água, chorando constantemente...
A fonte era limpa e tinha uma nobreza que a poça d´água — muito reles, muito vulgar – nem sonhava ter. Mas toda fonte gera uma poça d´água.

E havia uma represa, lá perto. Uma beleza! A água arrepiada de emoção pela brisa da tarde que passava, e que a fazia chegar em ondazinhas curtas junto aos barrancos abruptos dos outeiros, entrando pelos vales, num azul imenso espelhando o céu, o arvoredo nas colinas, floresta verde, cujos pés a água azul vinha beijar reverente e calma. E nos dias chuvosos ou de inverno, as nuvens e a neblina vinham esparzir seu véu cinzento de mistério entre as árvores e rente às águas.

E havia o vento...

O vento que cantava no arvoredo...

O vento que acariciava docemente as águas...

O vento que, soprando, arrepiava num frêmito amoroso, as águas beijadas da represa, formando ondas pequenas e ligeiras, rebrilhantes à luz do por de sol na calma das tardes.

O céu azul, a terra e a água.

A luz do sol e o vento.

E contemplando aquelas águas calmas e azuis, o espírito repousava naquele suave e rebrilhante estremecer das águas.

Toda aquela beleza e poesia não tinham comparação com a vulgaridade e a miséria da poça d´água.

Mas...

E o mar?

O mar... Grandeza incomparável que os rios buscam como seu primeiro e único amor, desde que escorrem puros de sua fonte primeira. Mar, que as enxurradas procuram solertes, brincando apressadas nas pedras, borbulhando, resmungando, por que as pedras as detém em sua corrida afobada, e as impedem de alcançar logo o mar e a sua grandeza.

O mar não tem nada que se lhe compare.

E a poça d´água dele se sente exilada para sempre. Sua única esperança é a luz misericordiosa do sol que a faz ir para o céu, evaporada, para cair, depois, -- graças a Deus, que ama os humildes -- como chuva, diretamente sobre a grandeza infinita do mar.

O mar... Ao qual Deus colocou os limites no início dos tempos, quando Ele brincava com os pólos da Terra. Porque fora do Infinito divino, tudo tem que ter limites.

São então poucos os que olham para a poça d´água: as crianças teimosas e brincalhonas, atraídas por sua pequenez; as mães cuidadosas preocupadas com resfriados; os meninos inocentes que vêem o céu espelhado nela.

O céu...

Até numa poça d´água.

Porque o céu se espelha na poça d´água!

E por que o céu se espelha numa poça d´água?

Por que será que Deus fez a poça d´água?

Porque a misericórdia de Deus é infinita.

Porque foi a Sabedoria de Deus que – imitando os meninos inocentes – fez a pequena poça d´água. Para as criancinhas brincarem. Para os adultos pensarem. Para converter os pecadores.

Porque a Sabedoria, sabendo que haveria homens tão maus que só se interessam pela lama, homens tão impuros e grosseiros, que só olham para a terra e para o lodo, e jamais para o céu, a Sabedoria de Deus que, no Princípio, brincava com o globo do mundo, foi ela que, por misericórdia, fez o céu se espelhar numa simples poça d´água, a fim de colocar o céu em meio à lama e à sujeira barrenta, para que pelo menos então, as almas torpes vissem o céu refletido numa reles e miserável poça d´água.

Pois foi a Sabedoria de Deus que cantou a Si mesma, dizendo na Sagrada Escritura:
“Ainda não havia os abismos, e Eu já estava concebida; ainda as fontes das águas não haviam brotado; ainda não se tinham assentado os montes sobre a sua pesada massa; antes de haver outeiros, Eu tinha já nascido.
Ainda Ele não tinha criado a terra nem os rios, nem os eixos do mundo.
Quando Ele preparava os céus, Eu estava presente; quando por uma lei inviolável, encerrava os abismos dentro de seus limites; quando firmava lá no alto a região etérea, e quando equilibrava as fontes das águas; quando circunscrevia ao mar o seu termo, e punha lei às águas, para que não passassem os seus limites; quando assentava os fundamentos da terra, Eu estava com Ele regulando todas as coisas; e cada dia me deleitava, brincando continuamente diante dEle, brincando sobre o globo da terra, e achando minhas delícias em estar com os filhos dos homens” (Eclesiastes, VIII, 24-32)
Foi a Sabedoria de Deus que fez o mar, a fonte e a poça d´água, quando brincava com o globo da terra. Foi a sabedoria de Deus que pos limites ao mar, ao homem, e à poça d´água.

“Disse também Deus: As águas que estão debaixo do céu, ajuntem-se num só lugar,e apareça o árido. E assim se fez” (Gen I,9).

Deus represou o mar e a poça d´água. Colocou limites ao grande e ao pequeno. E em ambos refletiu o infinito.

Foi a Misericórdia de Deus que fez o céu se espelhar nas poças d´água. Para as crianças teimosas e curiosas. Para os meninos inocentes.

Para os pecadores verem um momento o céu. Mesmo em meio da lama de suas vidas.

Bendito seja Deus de tanta misericórdia que nos procura até na lama, e nos faz lembrar do céu, ainda que estejamos no meio do lodo.

Bendito Aquele que colocou limites em todas as coisas, e que permitiu que o finito refletisse o Infinito.

Pois no Princípio, no Verbo, na Sabedoria “No princípio criou Deus os céus e a terra...
“E a terra estava informe e vazia...
“E o Espírito de Deus pairava sobre as águas...(Gen, I).


O mundo pagão criou o mito de Narciso, espelhando-se na fonte. E tão encantado teria ficado o tolo do Narciso com a sua “linda” figura, que se lançou à água, e na fonte se afogou. É o que diz o mito pagão e mentiroso.

Foi o castigo da vaidade, explicam os professores superficiais e rasos como poças d´água, o que ensina o mito de Narciso. Daí o “narcisismo” como designativo de uma auto-contemplação vaidosa e orgulhosa.

Não. Narciso não se apaixonou por sua própria figura, mas por sua imagem. O mito de Narciso é explicado mais profundamente pela Gnose antiga. Mais profundamente e mais falsamente também.

Para a Gnose, o mito de Narciso ensina que o homem queria buscar a divindade, que existiria nele como uma semente divina posta no homem. Como o disse também o Concílio Vaticano II, na Gaudium et Spes, n0 3. Para a Gnose, Narciso, -- o homem -- então, deveria matar-se, para fugir deste mundo material, mergulhar em si mesmo, em busca do seu verdadeiro eu interior, que seria divino.

A fuga do mundo material era simbolizada pelo mergulho de Narciso na fonte, em uma busca de sua imagem, invertida pelo espelho das águas. Seria preciso fugir da vida, fugir deste mundo material e buscar outro mundo inverso deste mundo em que Deus nos colocou.

Auto-contemplação vaidosa na superfície, auto adoração gnóstica no profundo das águas da fonte, de ambos os modos o narcisismo é bem condenável, em qualquer de suas explicações pagãs feitas “al tempo delli dei falsi e bugiardi” (Dante, Divina Commedia, Inferno I, 72).

O que me levou a pensar tudo isto foi a ofensa que uma pobre mocinha, ouvinte acidental, me lançou, ofensa meio resmungada entre dentes rangentes, num domingo, acusando-me de narcisismo.

A ofensa e o desprezo à poça d´água, por suas margens lodosas é coisa justa. Mas o elogio jamais é à poça d´água, e sim à imagem do céu que há nela. Bem tola seria a poça d´água se acreditasse que os elogios são para ela, e não por causa da imagem do céu nela!

Por isso, a ofensa que recebi da pobre moça me deu uma grande alegria. O ultraje me fez compreender no que nunca havia pensado; no que era realmente o narcisismo, e a compreender mais profundamente a maravilha que há numa poça d´água. A maravilha do Infinito no finito. E compreender a bondade dos limites.

Pois que, já no Princípio, no mistério do Bereshit,-- está escrito--, o Espírito de Deus pairava sobre as águas...
No Princípio!...

No Princípio, criou Deus todas as coisas.

No Princípio, que é o Verbo, foram feitas todas as coisas. Foi no Verbo, na Sabedoria que Deus fez a poça d´água, quando Deus pôs limites às águas.

Também o homem foi feito no Princípio.
E Deus disse:

“Façamos o homem à nossa imagem e semelhança e presida ele aos peixes do mar, e às aves do céu e aos animais selváticos e a toda a terra” (Gen. I, 26).
“E o Senhor Deus formou, pois o homem o homem do barro da terra, e inspirou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma vivente” (Gen. II, 7).

Assim Deus fez o homem de barro. Com terra e água. E o fez à sua imagem.
O homem espelha a Deus em sua alma. Tal como a poça d´água espelha o céu, a alma humana espelha a Deus. Ao olhar uma poça d´água, vemos o céu nela refletido. Ao contemplarmos o rosto do homem, rosto em que Deus soprou, pode-se ver transparecer nele a imagem de Deus.

Deus ama a alma humana e se espelha nela, e se ama a Si mesmo, vendo-Se na poça d´água miserável de nossas almas manchadas pelo lodo, por nossos limites de barro.

E as pobres poças d´água que somos, também nós, nós também vemos constantemente o Céu, quando em meio ao nosso lodo, olhamos para o alto.

Porque Deus fez as poças d´água olhando naturalmente para o céu. Voltadas para o Alto. Somos de lodo em nossos limites, mas voltados sempre para o céu, espelhamos a Deus.

Todo homem é como a poça d´água: um limite barrento, um limite miserável de lodo, cercando uma belíssima imagem de Deus.

Pois Deus pôs limites às águas. Desde o Princípio. Em sua sabedoria.

Adão foi o primeiro que quis recusar os limites. Quis ser Deus e rompeu os limites de sua poça. Daí Cristo ter vindo para restaurar os limites de barro do homem com o barro de sua natureza humana e com os méritos infinitos de sua natureza divina. Ele nos concedeu a possibilidade de nos tornarmo-nos filhos adotivos de Deus, restaurando a nossa poça, e pela recepção da água do Batismo. De novo, nos fez com barro e água.
Essa é a nossa nobreza, purificada e reelevada à dignidade de filhos adotivos de Deus pela água do Batismo.

E há que contemplar no ser humano, não particularmente as margens lodosas miseráveis, mas sim a imagem do céu espelhada na alma, na superfície espiritual, que o sopro de Deus fez estremecer de júbilo, num êxtase, já quando Deus falava a Adão na brisa da tarde. Nisso está o segredo do amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos. Deus falando na brisa que faz estremecer, num marulho suave, a superfície das águas

Amar...

Que palavra tão prostituída hoje!

Conta-se que o mais difícil de traduzir, na encíclica primeira do Papa Bento XVI, que está para ser publicada, foram as palavras iniciais que intitulam o novo documento pontifício: “Deus Charitas est”.

Como traduzir Charitas? Amor?

Mas por amor o que se entende hoje?

Encher estômagos...

Alimentar a animalidade, satisfazer necessidades físicas, quando nem só de pão vive o homem.

Amar, hoje, é considerar o homem apenas em si mesmo, em sua animalidade apenas. Apenas como um tubo digestivo que é preciso preencher, e não como imagem de Deus que é preciso elevar, dignificar, saciando-a com a verdade, fazendo-a amar a virtude.

Não que não se deva ajudar o barro da poça d´água, sem o qual ela nem pode existir. Mas o barro existe para permitir a esse pequeno lago azul, espelhar a Deus.

Quem ama neste mundo de ódio, neste século da mentira que tudo prostituiu?

Neste mundo impuro que prostituiu o mar e o amar?

Amar, hoje, é reduzida à filantropia que só contempla, com ufania de néscio e com orgulho estúpido, a lama de que somos feitos, e jamais a imagem de Deus na poça d´água de nossas almas. Amar, hoje, no máximo, é sustentar a lama em seu lodaçal, sem nenhuma preocupação com a imagem que se reflete na poça d´água da alma.
E se julga que amar é retirar todos os limites das águas, deixar as águas correrem para o abismo, sem refletir mais nada, em nome de outra palavra prostituída: liberdade.
Só ama de verdade as almas, quem lhes põe limites, quem põe limites às poças d´água, permitindo-lhes que reflitam o céu.

E como eram belas as poças d´água que encontrei em minha vida, nas salas de aula dos colégios de minha juventude!

Não. Não pisei nelas, esborrifando a imagem divina nelas refletida.

Não. Jamais.

Mas amei a imagem infinita que perpassava por elas.

Como o menino que fui se encantava com o céu azul e as nuvens perpassando pelas poças d´água, quando professor as contemplei sempre do mesmo modo, vendo nas almas dos alunos, em seus rostos, refletidos na poça d´água de minha alma, vendo a imagem de Deus nelas. Vendo-as tendo por fundo o céu azul. Vendo nelas o céu. Vendo-as no céu. Vendo, refletidas nelas, a face de Deus.
E feliz, eu também, porque, ao olharem a poça d´água de minha alma, elas – sem o saber -- também colocavam suas imagens em minha alma. Porque espelhavam, em minha alma, a imagem de Deus que havia nelas.
Havia assim uma reflexão dupla: a imagem delas em minha alma, enquanto elas também me viam no céu espelhado na poça d´água que o professor era para elas. Elas também viam o céu em mim, enquanto eu, de minha parte, as via no profundo céu azul.
“Ah laisez moi vous regarder encor...
« Laissez moi que je reconnaîsse ces traces de Dieu dans vos âmes, et sa beauté encor.
« Laissez moi que je te regarde ma vaillante et toujours jeune Montfort ».
Deixai que eu vos olhe ainda um pouco, como quando os olhei, um dia, em minha juventude, na vossa juventude, meus alunos, as almas em que Deus se espelhava -- em imagem belíssima -- na poça d´água de vossas almas. E vos vejo ainda agora como os vi -- meninos e meninas -- de rostos alegres refletidos na poça d´água de minha alma.

Sim, impressos no fundo de minha alma. Porque é bom ser como a poça d´água.

Vejo ainda vossas almas, então, há tantos anos, me olharem surpresas. Surpresas sim, com olhar surpreso, porque, apesar de minhas margens lodosas, vós também víeis o céu perpassando no fundo azul da poça d´água barrenta e miserável de minha alma.

...Surpresas.... Surpresas e encantadas.

E enquanto olháveis o céu na poça d´água do professor, ele também vos via no céu, contra o azul do céu, que lhes servia de fundo, espelhando-se nele.

E eram tão belas as almas que eu via no fundo azul do céu, sempre que vos olhava, olhando o céu em vós, que miráveis o céu azul, em mim.

Como são belas as almas quando, como crianças, olham o céu numa pobre poça d´água de um velho professor!

E a surpresa em vosso olhar exclamava então exultante:

“Mas o céu então existe! Existe uma imagem de Deus refletida em nossas almas! Então a maravilha do existir tem uma explicação! Na há só miséria em mim”!

E também o professor se comovia vendo o céu em vossas almas juvenis, tão belas, ao se refletirem em mim junto com a imagem do céu azul enfeitado com nuvens brancas.

E a brisa do céu é como o sopro de Deus que faz estremecer de alegria a superfície de minha poça d´água, comovendo-me até o fundo de meu abismo de lodo!

E quando o professor encontrava uma poça d´água que sem limites escorria louca pelas ladeiras aos abismos da perdição, sem mais ter o poder de refletir o céu azul, apressava-se, como quando era menino, a por limites na enxurrada louca, para empoçar as águas e formar nelas um espelho do céu. Desde pequeno divertia-me pondo limites às águas loucas, brincando sobre a face da terra. Sempre acreditei possível por limites em certas almas escolhidas embora tresmalhadas.

Quantas poças d água fiz!
Quantas poças d´água Deus fez comigo, pondo-lhes os limites da lei.

E que crime cometem aqueles que se recusam a deter as águas em nome da independência e da liberdade, que se recusam colocar limites às águas da alma humana, não permitindo que Deus se espelhe nelas!

Que crime comete aquele que diz para um moço: você está aí, parado que nem uma poça d´água, perdendo sua vida nesse grupo, perdendo o seu tempo.

Como se espelhar o céu fosse uma perda de tempo. Nascemos apenas para espelhar o céu para que os outros vejam em nós a imagem do Altíssimo, que sabiamente permitiu ao finito refletir o Infinito.
A poça d´água em que se espelha o céu, repito, foi feita pela Sabedoria e pela misericórdia de Deus que coloca limites ao nosso lodo, a fim de podermos espelhar, um momento que seja, o céu, a imagem de Deus em nós.
E haveria que falar ainda da redução do amante ao amado, assim como do amado ao amante. Porque ao contemplarmos a poça d´água vemos o céu maravilhoso espelhado nela, ainda que cercado por miseráveis limites de lodo. Deus se espelha em nossas almas, e Ele nos ama por sua imagem espelhada em nós. E nós O amamos por ver o Infinito imageado no finito de nossa pobre alma cercada pelos limites miseráveis de nosso corpo lodoso.
Um no outro. E nisto está a essência do verdadeiro amor que é unificante por participação. Amar ao próximo por amor de Deus unifica os homens, unido-os a Deus.

Amar o próximo – e quem é mais próximo do Professor do que o aluno?-- por causa do Infinito refletido na poça d´água finita do coração humano, por ver nela o céu, por saber ver nela a imagem de Deus, essa é a razão de vida do Professor.

Ah! a graça de amar os outros por Deus!

Ah a doçura infinita de saber ver Deus na face dos alunos.

Ah o encantamento de contemplar Deus nos olhares brilhantes olhando extasiados o professor — pobre poça que fala — que fala através da imagem do céu que ele contém, sem o saber, em sua alma-poça d´água, também.

O professor só vê nele mesmo os limites lodosos, e estremecendo de temor se pergunta:

“Turvei eu a imagem do céu em mim?”.

“Verão ainda os olhares das almas jovens o céu em minha alma?"

"Ouvirão ainda a canção que fala do céu, que vejo e que canto, como pano de fundo de suas almas, quando me olham atentamente nas aulas, como as crianças olhando extasiadas o céu nas poças d´água, e quando eu mesmo olho para o céu?”

E se, por acaso alguém me apostrofa acusando que minhas margens são de lodo, como não chorar diante dessa verdade irrefutável?

Sim. Minhas margens são de lodo...
Tende pena de minhas margens e lembrai-vos que também em minha superfície Deus espelhou o céu.

Olha para o céu!

Mesmo em mim. Apesar de meu lodo

Olha! Volta a olhar o céu na poça d´água de minha alma.

Que tenho sede de tua alma, porque vejo o céu atrás de tua imagem em mim

Que as lágrimas de dor contribuem para tornar a poça mais límpida.

Só para ver o céu. Para ver o céu. Convosco.

Em vós. E se uma alma me diz, entre lágrimas, em telefonema doloroso: “Jamais vou conseguir espelhar a Deus me mim”, que dizer a essa pobre alma, senão que deixe de contemplar suas margens de lodo e que olhe para o alto, pois que toda poça d´água, ainda que barrenta, espelha o céu. Olha pois para o céu, o minha alma.

E se procuro um rosto entre vós um rosto que comigo esteve, e já não o vejo... Se vejo um pobre dique arrombado pela ilusão de ganhar ou de gozar a vida, a água escorrida.... A imagem desaparecida... A dor é grande...

Onde está aquela poça d´água em que o céu se refletia lindíssima? E tenho saudades de uma poça d´água. E tenho saudades de uma imagem. E desejo poças d´água.
E enquanto não retornar a ver contra o céu azul o rosto delas, minha alma anseia por suas almas, aluno que se afastou, aluna que se aproxima. Ansiando pela imagem de Deus em vós, como a praia anseia a onda que retorna como carícia sobre praia ressequida.
Pois tenho sede de suas almas.

Das quais tenho sede.

Oh! a sede de almas!

Como ela faz viver


Hoje vemos aqui a Montfort festivamente reunida.
Que bela poça d´água ela é, na qual se pode ver também, apesar de tudo, o céu azul espelhado, onde se pode ver, -- se se tem olhos para ver --a imagem de Deus nas almas dessas moças e desses moços que Deus colocou em meu caminho. Nessas vozes e nessas canções, cantando a “Vecchia canzone” – a velha canção que sempre cantei – cantando o fogo que flameja.
Quando ouço a Montfort cantar o fogo que queima, queima, queima ardentemente.

Quando vejo o fogo de amor pela imagem de Deus espelhada em toda a parte, em todas as almas e em todas as coisas, e mesmo na chama pura do fogo.
Quando se vê Deus refletido em tudo, quando se tem olhos para ver bem até uma poça d´água...

Então... Então...
Se tem a felicidade já na terra, pouco importando os ódios e as incompreensões.

Para ver Deus em tudo...

Então deixai-me olhar a Montfort encor...

Laissez moi vous regarder un peu encor, nesta noite de festa e de felicidade.

Deixai-me ver – um pouco ainda. De novo! -- o céu na poça d´água de vossas almas

Deixai-me ver ainda, durante um pouco de tempo, como um menino olha o céu azul em vossos rostos, espelhados no mais fundo de minha alma. Sim, porque vossos rostos, vossas almas estão todos bem gravados no fundo de minha alma.

“E como me esquecerei de ti?”
“Eu sou o teu professor que te tomei pela mão, um dia, quando viste o céu na poça d´água de minha pobre alma”.

E vendo tantos jovens e tantas almas sedentas de verdade e de justiça, aqui na Montfort, -- só posso olhá-los como o professor que Deus ajudou a deter a enxurrada que escorria louca para os abismos nos colégios pelos quais passei e que agradece a Deus o tê-los convertido.
Adeus rock. Adeus prazer. Adeus sonhos.

Mas Deus. Cristo Maria Santíssima. A Santa Igreja. A cruz. A luta. O argumento. A Verdade. A virtude. A Beleza.

E como é belo o céu azul espelhado nessa pequena poça d´água que é a pequena e valente Montfort!


E não haveria uma poça sem lodo?

Só porque todo ser humano é finito, toda poça d´água tem que ter margens.

Mas toda poça tem que ter lodo em suas margens?

Não seria possível haver uma poça d´água, com margens de barro, sim, mas sem lodo e sem mancha?

Não deveria haver um ser humano sem lodo em suas margens, uma alma que espelhasse imaculadamente o céu azul, Deus refletido perfeitissimamente em sua alma?

Deus fez uma nova Eva, com margens sim, por ser finita, mas sem o lodo do pecado original, para que nela pudessem os homens ver plenamente e purissimamente a imagem de Deus refletida perfeitissimamente num ser puramente humano.

Pois que Deus reuniu todas as águas num só lugar e as chamou de “mária”, e reuniu todas graças numa só pessoa e a chamou de Maria.

O speculum Dei sine labe originale concepta.

A perfeita imagem de Deus: Maria Santíssima.

Ela, a única poça d´água com limites, mas absolutamente sem lodo. Ela, a fonte perfeita, na qual se espelha Deus de modo pleno. Ela, Maria, em quem devemos contemplar o céu sem receio. Ela, tão perfeito espelho de Deus que em seu seio virginal gerou o Verbo feito carne.

Nela, sacrário do Altíssimo, encontramos a Verdade encarnada, Jesus, a Verdade no seio da virgindade.

O fons Veritatis! O fons castitatis

O fons Dei! O fons Spei!

O fons Splendoris! O fons Amoris!


Mas Nossa Senhora, Ela também pertence à Igreja. É sua Mãe e sua Rainha. E sendo sua Mãe e sua Rainha, Ela é também parte da Igreja. E como a parte é menos que o todo, Maria, que beira o infinito, é menos que a Igreja, Corpo Místico de Cristo.
Na Igreja não temos apenas uma imagem de Cristo, mas temos o seu Corpo Místico.

A Igreja Católica é a única esposa de Cristo. Contra os erros do ecumenismo.

A Igreja é sociedade divina e humana.

É divina, pois que sua cabeça é o próprio Cristo Deus. É humana em seus membros. E por ser humana, também as margens da Igreja são feitas de terra. E nas margens da Igreja também pode haver lodo.
Mas, na Igreja enquanto tal, está o Espírito Santo, Alma Divina da Santa Igreja.

O Espírito de Deus que pairava sobre as águas, desde o Princípio, Ele continua visível na Igreja para quem tem olhos para ver o céu na poça d´água.

Então, de tudo isso se compreende porque Deus, por misericórdia e Sabedoria, fez a poça d´água, a fim de que os pecadores que só olham para a lama, pudessem em meio à podridão da terra, ver o céu refletido na lâmina das águas, E assim também Deus fez a Igreja como poça d´água perfeita.

E se permitiu Deus que as margens da Igreja, por sua parte humana, sejam lodosas, foi para selecionar os que, como Deus, tem olhos de misericórdia e de sabedoria para ver Deus espelhado na Igreja, sem se perturbar pelo lodo de suas margens. Pois a sabedoria está nisto: sabendo que Deus se encarnou, ver Deus na humilhação da natureza humana. Cristo, Deus infinito, não desdenhou ser contido numa natureza finita, e ter até margens feitas de barro, sem a mancha do lodo.

Saibamos contemplar então na poça d´água perfeita que é a Santa Igreja Católica: Velatum sub carne Deum infantem, pannis involutum.

Saibamos ver na Igreja, a face de Deus velada em margens humanas e de barro.
Hoje, na Santa Igreja Católica Apostólica Romana única Igreja fora da qual não há salvação, a face de Deus está bem desfigurada pelos pecados dos homens.
Apesar do lodo das margens, saibamos olhar para face de Deus humilhada, mas sempre Santa na Igreja Santa.

Como é bela a poça d´água. Ela espelha o céu.

Olha para o céu, pelo menos através da humildade da poça d´água.

Olha para o céu, pelo menos através da velha e rouca voz de um professor que, por meio de pobres palavras conclama, a você, aluno que me telefonou, dizendo-me hoje: “Não quero mais ficar parado, perdendo minha vida. Quero salvar minha vida”, olha para o céu refletido na poça d´água de sua alma. Lembra-te de que “quem salvar sua vida, perdê-la-á”.

Olha para o céu, contemplando a fonte puríssima do Verbo: Maria sempre Virgem.
Olha para o céu através da Igreja, que reflete a Deus perfeitissimamente, mesmo que suas margens estejam lodosas.

Olha também a Montfort, que, apesar de suas misérias em suas margens de lodo, também ela, humildemente, reflete o céu.

Olha, com olhar de menino, a poça d´água que Deus colocou em seu caminho: a Montfort.

Como é bela a poça d´água espelhando o céu.

Como é belo o céu na poça d´água de tua alma!

Como é bela a Imagem de Deus infinito nessa poça d´água pequena e jovem, valente e pura, ardente e ousada dos jovens da Montfort

E tenho sede!

Tenho sede de tua alma.

Faz-me ver o céu. Em tua alma.

São Paulo, 30 de Dezembro de 2005, na festa da Montfort.
Orlando Fedeli

quarta-feira, 7 de julho de 2010

A sutil diferença entre persistência e teimosia

Num seminário com mais de 600 empresários uma discussão tomou conta dos participantes. Eles me perguntavam: até quando você deve persistir com uma idéia, com um negócio ou com uma empresa, antes de desistir?

Foram inúmeros os depoimentos de empresários que persistiram muito – chegaram a "quebrar" mais de uma vez – antes de vencer e conseguir sucesso. As dificuldades, por eles relatadas, foram imensas. Houve momentos em que eles estavam querendo "jogar a toalha" e desistir. Não viam saída alguma para o "buraco" em que estavam....

Numa análise mais profunda que fizemos com eles próprios, tendo como base os exemplos de vida concreta de cada um, fizemos com que eles percebessem que a persistência – que os fez vencedores – foi muito mais com o método de trabalho, com a força da vontade, com a busca de caminhos alternativos, do que uma teimosia em repetir, sem parar, a mesma coisa, com os mesmos erros, com as mesmas pessoas até dar certo. Eles não desistiram frente aos obstáculos, mas buscaram alternativas válidas, pessoas mais experientes, mercados mais disponíveis, formas mais simples – até que atingiram seus objetivos.

Depois que os fiz ver a diferença entre persistência e teimosia eles próprios passaram a relatar – pela própria experiência – que enquanto foram teimosos não tiveram sucesso. Enquanto insistiram nas mesmas fórmulas, com as mesmas pessoas, com os mesmos parceiros de insucesso, só viam o fracasso crescer, o buraco aumentar. Os vencedores são persistentes, mas não são teimosos. Percebem quando mudar, como mudar, com quem prosseguir num novo caminho. Não ficam "dando murros em ponta de faca" como diz o ditado. Mudam com rapidez. Mudam com determinação. Porém são persistentes na vontade, no querer, na visão de sucesso, na busca de alternativas, na busca de companheiros e parceiros leais. Erram muito, são enganados, passados para trás muitas vezes. Mas não se deixam abater e contabilizam isso tudo numa conta de "experiência" que os faz ainda mais fortes.

E nós, o que somos? Persistentes ou Teimosos? Lembre-se que o mundo é dos persistentes e não dos teimosos.

Nesta semana, pense nisso. Boa Semana. Sucesso!


Fonte: Anthropos