sexta-feira, 24 de abril de 2009

Beleza Absoluta e Beleza Relativa.

Antes de entrarmos efetivamente no assunto, gostaria de dar uma pequena introdução que acredito ser de muita importância para nos ajudar a entender a relação entre estas belezas.
Trata-se do conceito de “ato e potência”
Todas as coisas no mundo, ou seja, toda a criação existe em ato e potência em um dinamismo constante, por exemplo:
Um muro pintado de verde o é em ato, contudo esse muro tem potência em outra cor. Se você pintá-lo de branco, neste momento ele será branco em ato e terá potência de ser qualquer outra cor, menos branco.
O único ser existente em ato puro é Deus, isso porque Ele não muda. Deus é o mesmo desde o princípio, isso sabemos quando nos diz: Eu sou aquele que Sou, ou seja igual sempre.
Para o homem é impossível ficar sempre igual, então já que esta passagem faz parte da nossa natureza, lutemos para sermos melhores hoje do que fomos ontem, tanto na vida pessoal quanto na profissional.
Mas o que tem haver tudo isso com o nosso tema?
Vou explicar.
Todos os nossos trabalhos por mais belos que sejam tem apenas uma beleza limitada, como que um espelho refletindo a beleza por excelência, sem esta referência nos seria impossível criar algo verdadeiramente belo ou melhor, que aponte para isso.
Eu posso encontrar trabalhos que contenham harmonia nas formas, nas cores, sejam inteligentes, mas não me levem para cima, esses são ciladas e não ser enganado por eles é uma tarefa difícil de aprender, todavia esse já é um outro tema.
Voltando ao assunto, quando começamos um novo trabalho pensamos.
Ah, este será o meu melhor job, ao término dele e começo do outro lá estamos nós buscando o mesmo ideal.
É uma busca incansável e inatingível, ato e potência.
As vezes gosto de olhar ao meus primeiros trabalhos, aqueles que julgava ser o meu melhor, pois bem, vendo eles agora servem apenas como registro desta minha subida. Mesmo sabendo que nunca chegarei ao topo aqui na terra, continuo subindo sabem por que?
Porque a cada etapa eu me aproximo mais dele, tento a cada dia ser merlhor na vida pessoal e na profissional. E me traz tanta alegria a esperança de um dia ver esta beleza infinita.
Escutem uma música de Bach ou um canto gregoriano, vocês vão entender tudo.
O que mais gosto na nossa profissão é que ela pode servir como uma seta que aponta para o puro, para cima, para a verdade. O design se enquadra na classe das coisas que o homem faz e que tem a capacidade de transpor a barreira do concreto para o espiritual.
É nosso dever usar o talento que temos para o bem e ajudar as pessoas mesmo com nossos limites a enxergar no horizonte esta verdade, esta beleza absoluta e assim mostrar que o homem nunca alcançará sozinho este ideal em sua busca pela perfeição, este mundo que colocou as obras do homem como fim último das coisas e pretendendo ser divinizado no que faz, se esvaziou.
Que meu design seja uma bússola que aponte para o norte, que aponte para o absoluto que aponte para Deus.

Um abraço a todos.
Emerson Marinho Nóbrega

4 comentários:

  1. Ligia Granja25/04/2009 13:05

    Um pensamento bem platônico, não? =) É, também acredito que o fato de sermos potência para algo nos faz progredir ao invés de estagnar. Gostaria que muitos outros seres humanos pensassem assim, o mundo seria quase que um reflexo do mundo supra sensível de Platão. =D

    Ligia Granja

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  2. Olá Ligia.

    É isso mesmo, penso em como designers negando esta verdade produzem trabalhos horríveis.

    Veja alguns trabalhos caóticos que nos jogam para baixo.

    É a arte ao avesso. Mas o homem quer a liberdade de criar sem a busca deste ideal que falei no texto e só faz andar de marcha ré.

    Quem diz: mas eu gosto deste tipo de design, tem é mau gosto.

    Quem compraria uma lata de Leite Ninho toda amassada, enferrujada e com um rótulo todo mau escrito e confuso para dar a seu filho?

    A arte moderna cuspiu no altar da beleza e nos entrega uma embalagem contendo alimento estragado.

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  3. Ligia Granja25/04/2009 22:58

    Concordo, começo a perceber um caminho sem fim de valores se distorcendo... isso é realmente triste!
    Sim! já ia esquecendo, vou me apresentar =D
    sou estudante de design da Universidade Federal de Pernambuco, estou lendo seus textos, gostando e aprendendo muito! Obrigada, sempre que puder darei uma passadinha!
    abraços,

    Ligia Granja

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  4. Obrigado Ligia.

    Tento escolher bem as coisas que subo para o blog, as vezes fica difícil, mas vou caminhando.

    Busque sempre o bom design, aquele que leva as pessoas para o alto, não engula qualquer coisa dizendo que é arte.

    Sabe o quandro " O Grito" de Munch, um símbolo do expressionismo por exemplo, por mais que as pessoas te digam, isso é uma obra prima, não acredite, essa obra é uma porcaria tanto no desenho como no que ela quer dizer. É o tipo de obra que ficaria muito bem na lata do lixo de uma casa não é mesmo? Uma arte que mostra o horror, muito obrigado não quero mesmo.

    Se te disserem, esta obra mostra a realidade de uma época replique dizendo:
    Quando na história da humanidade não houve problemas, nem por isso vamos colocar isso no pedestal como que querendo matar a esperança. Definitivamente, não podemos fazer isso.

    Só quero completar dizendo que tomar esta posição hoje em dia vai nos custar algumas brigas, porque como dizem, a arte e a beleza é relativa.

    E assim ficamos entorpecidos com qualquer coisa.

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